sábado, 21 de julho de 2018


O prazer dos livros:

“Nas Trevas”


Esta é edição da última obra publicada em vida de Camilo (1890) (impresso na Typ. Christovão – 60, Rua de S. Paulo, 62, Lisboa), “Nas Trevas”. Foi uma obra de composição lenta, pois Camilo, nos últimos anos de vida, quase cego (“nas trevas”), que o levou ao suicídio aos 65 anos de idade, entrou em decadência. Entre os 32 sonetos, está o célebre “A maior dor humana”, já publicado no volume organizado por João de Deus, e um outro, que é o último,

“Epílogo”, que assim termina: “E eu, que tanto carpi os condenados, / Os cegos – os supremos desgraçados! - / Já lagrimas não tenho para mim”. Os nossos olhos podem trair-nos. Este livro, que guardo com estima, tem um lugar especial, por ser um testemunho vivo do drama de Camilo. Talvez, ainda vivo, mas já o não tenha podido ver.

quinta-feira, 19 de julho de 2018


O prazer dos livros:

“O crime do padre Amaro”, edição da Livraria Chardron, de 1889. Esta obra de Eça de Queiroz (1845-1900), hoje tão falado na imprensa (!!!) é uma delícia. Eu posso escolher de Eça o livro de que mais gostar. E deste eu gosto! A obra, que teve uma primeira versão, dispersa pela Revista Ocidental, a partir de fevereiro de 1875, por iniciativa exclusiva de Jaime Batalha Reis, veio a ter a 1ª edição, na Chardron, em 1876 (versão diferente); a 2º edição (“nova edição inteiramente refundida), em 1880; e a 3º edição, que é esta (1889), acrescentando ao título “Scenas da vida devota”, “inteiramente refundida, recomposta, e differente na forma e na acção da edição primitiva”. É um livro oitavo, in 8º, com excelente encadernação, e de atraente manuseamento para ler, o que eu fiz, quando me chegou às mãos. O prefácio é o da 2ª edição, em que Eça explica o seu relacionamento com a obra de Zola, porque havia quem dissesse que imitava o Crime do Pedre Mouret. Mas não! São cenas da vida devota, mas mesmo portuguesas! Na escola também seria um bom livro de Eça, agora que é livre.

terça-feira, 17 de julho de 2018


O prazer dos livros:

A “Encyclopedia das Familias”, revista de educação popular, publicou em vários números a “Historia da Invasao Franceza em Portugal”, de Junot (1808), relato “devido á penna de um dos mais distinctos escriptores do principio d’este seculo, testemunha dos factos narrados”, como aí se anuncia. Neste nº 84, de 1894 (era de publicação mensal e chegaram-me alguns destes cadernos), vêm descritos os factos das “Hostilidades de Loison na Guarda e Alpedrinha. Levantamento da Covilhã” (Cap. XX – p. 883-887).  Respigo: “O Fundao despovou-se, mas Loison não entrou nesta villa, porque se não desviou da estrada.” (…) “Alpedrinha tinha tambem quebrado o jugo, por unanime e espontânea resolução dos seus habitantes, apenas alli constaram os sucessos do Porto e Coimbra, comunicados por dois académicos no dia 2 de julho.” (…) ”Principiavam a tomar-se as medidas competentes, e já se havia expedido emissários para as terras d’aquelas visinhança, quando de repente se viu a villa acommettida por uma grande parte da divisão de Loison.” “Os bárbaros cercaram a villa e introduziram n’ella uma coluna das suas tropas, que foi matando quanto encontrou sem perdoar às próprias creanças”. São descritas atrocidades incríveis! Seria na noite de 4 para 5 e durante o 5 de julho de 1808). As tropas saíram de Alpedrinha no dia 6 de julho, indo dormir às Sarzedas.
CB 17.7.2018



segunda-feira, 16 de julho de 2018

O prazer dos livros: “Nas Trevas” Esta é edição da última obra publicada em vida de Camilo (1890) (impresso na Typ. Christov...